Agora é Copa do Mundo!
- Marcos Kimura
- 8 de jun.
- 3 min de leitura
Por Marcos Kimura
De quatro em quatro anos, esta nação, cuja auto-estima é tão baixa que alguns acham que mudar para o Paraguai é subir na vida, se enche de esperança, gastam o suado dinheirinho em camisas da seleção (oficiais ou não), alegorias verde-amarelas, em decoração para a casa e rua e para a Globo (que não vai exibir todos os jogos) investir em antenas digitais para fugir do delay. É a Copa do Mundo de Futebol, a maior competição do esporte mais popular do planeta.
Mesmo quem não se interessa por futebol vira um Pacheco (essa é velha) doente. E há motivos para tanto. O Brasil é o maior campeão com cinco taças; o ún
ico a participar de todas edições; descontando a competições pré 2ª Guerra Mundial, apenas os escretes canarinhos (outra antigalha) de 1970 e 2002 ganharam com 100% de aproveitamento; sem falar nas lendas que se estabeleceram no imaginário mundial: Pelé, Didi, Garrincha, Rivelino, Romário, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo, o grande subestimado.
Mas há outros fatos manos lembrados: somos o único país da primeira prateleira a sediar duas Copas e perder ambas, de forma traumática (Maracanozzo e o 7 a 1). Os 24 anos de fila dã nem é um drama. É o tempo que a Alemanha levou entre o campeonato de 1990 (a pior Copa que eu vi) e o malfadado – para nós – 2014; que a Itália demorou para voltar a vencer após 1982 – outro trauma para nós – que foi em 2006. Isso para não falar no tempo que os Hermanos arrentinos ficaram na fila entre 1986 e 2022, 36 anos!
Isso para as camisas que mais venceram o Mundial. E quem só vai para participar? O vídeo de convocação da Escócia contou com o ator Ewan McGregor, e muita gente achou que tinha ali um contexto de jedi, uma vez que ele é conhecido como o Obi Wan Kenobi mais jovem. A verdadeira referência é com Trainspotting, no qual um dos personagens tinha uma fita VHS e estimação com a vitória do escrete highlander sobre a Holanda em 1978, e se despera ao saber que um amigo gravou uma trepada por cima do registro de uma das únicas glórias de sua pátria em Copas do Mundo. VHS? Bom, o filme é de 1996.
E agora a seleção brasileira parte para mais uma Copa entre esperança pelos motivos supracitados e pessimismo por outros, como o nível dos adversários e o pouco tempo de preparação com Carlo Ancelotti. Pode parecer uma contradição, mas decisões de última hora marcaram duas das conquistas mais marcantes do Brasil. Em 1970, o ´técnico das Eliminatórias foi João Saldanha, demitido quase no embarque para o México e substituído por Zagallo. Luis Felipe Scolari foi chamado para o lugar de Leão um ano antes da Copa de 2002, e seu primeiro jogo foi contra o Uruguai, que venceu por 1 a 0 em Montevidéu pelas Eliminatórias.
A bagunça antes de levantar a taça não se restringe ao Brasil. A Itália que derrotou a seleção de Tele Santana em 1982 chegou à Espanha sem falar com a imprensa e marcada pelo escândalo de apostas anos antes, que fez com que Paolo Rossi pegasse um gancho de três anos, mas que foi anistiado para se tornar o craque daquele mundial. Antes da Tragédia de Sarriá, Rossi não tinha marcado nenhum gol: fez três na gente e a partir daí, marcou em todas as partidas e terminou como artilheiro.
Em 1998, a França, dona da casa, estava tão desacreditada que foi criticado até por Michel Platini, presidente do Comité Organizador da Copa já na fase de grupos. Passou nas oitavas pelo Paraguai de Gamarra e Arce no Gol de Ouro (que se existisse em 2022, teríamos passado da Craácia) e nas quartas pela Itália, nos pênaltis, mesmo sendo a dona da casa, o favoritismo na final era do Brasil, Até hoje, não só por aqui, há quem acredite que o campeonato foi comprado. No filme Timbuktu, de 2014 e indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro, dois guerrilheiros jihadistas comentam que o Brasil vendeu a Copa por um navio carregado de arroz... A gente é pobre, mas nem tanto.
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Não gosto de ser ufanista nem me entusiasmar com jogador, ainda mais de um que admiro. Mas o Endrick, se não for titular, é a primeira opção do banco. Lembrando que com as cinco substituições possíveis, nenhum time se resume aos 11 iniciais.


