Brasil x Marrocos: Foi ruim, mas não irremediável
- Marcos Kimura
- 15 de jun.
- 3 min de leitura

Por Marcos Kimura
O mundo pareceu cair sobre a cabeça dos brasileiros no último sábado após o empate da seleção nacional contra Marrocos. Mesmo com um Brasil vindo de apresentações irregulares e Marrocos, semi-finalista em 2022, e invicto há várias partidas, o resultado despertou os arautos do apocalipse da impresna e o pessimismo latente da torcida, O 1 a 1 não foi tão ruim quanto o jogo do time de Carlo Ancelotti, dominado em grande parte do primeiro tempo e salvo por uma jogada individual de Vini Jr. Houve algum equilíbrio nos 45 minutos finais com a troca de Casimiro – um dos piores em campo e amarelado – por Fabinho, a entrada de Danilo do Flamengo no lugar de Ibañez, e Danilo Santos no ligar de Bruno Guimarães, que foi a última alteração possível. A opção pelo meio-campista do Botafogo ao invés de Endrick, o técnico italiano revelou sua intenção nesta estreia: preferir consolidar o resultado ao invés de se jogar ao ataque e buscar a vitória. Retranqueiro? Como ele mesmo disse, é apenas o começo.
É engraçado como ninguém se recordou que na estreia da Copa do Japão e Coréia do Sul, o Brasil esteve perto de empatar, e até perder, da Turquia, se houvesse VAR na época. Houve um pênalti não marcado a favor do adversário e a virada – sim, começamos perdendo também – só aconteceu por que Luizão, agarrado por Ozalan na meia-lua, o arrastou até dentro da área, e o juiz deu pênalti, expulsou o turco e Rivaldo converteu. Nesse jogo inicial contra o adversário mais forte do grupo – a Turquia chegaria à semifinal contra o mesmo Brasil e terminaria na teceira colocação – o time ainda não era o que se consagraria pentacampeão. Com os jogos restantes contra as fracas China (4 a 0) e Costa Rica (5 a 2) Felipão deu a todos – menos os goleiros reservas – o gostinho de jogar uma Copa do Mundo. Só nas quartas contra a Bélgica é que Kleberson entrou no time durante a partida, dando a consistência no meio de campo que levou o Brasil ao título. Portanto, calma, torcedores.
Mas a Copa do Mundo é muito mais que torcer para a nossa seleção. De modo geral, o torneio começou muito bem, sem nenhum 0 a 0 até o domingo e muitos jogos bons.
Na quinta, dia 11, teve a boa estreia de um dos donos da casa, o México, batendo a África do Sul por 2 a 0 e a sensacional virada da Coréia do Sul contra a Tchéquia por 2 a 1. Sexta, Dia dos Namorados para nós, o Canadá, outro anfitrião, empatou com a Bósnia; e os EUA, principal país-sede, trucidou o Paraguai de Gustavo Gomez, por 4 a 1, em jogo que teve gol contra do São Paulo, Bobadilha, e o de honra do Palmeiras, Maurício, o paraguaio “paraguaio”. O americano "por acaso" Balogun, filho de imigrantes nigerianos que moravam na Inglaterra, fez dois gols e virou artilheiro temporário da Copa. Ele tem cidadania americana por que sua mãe grávida não pode voltar a Londres e teve que dar à luz nos EUA, o que deu ao filho cidadania do país. Privilégio que Trump quer extinguir No sábado, além do empate entre Brasil e Marrocos, tivemos outro 1 a 1 em Catar e Suiça e a magra vitória da Escócia contra o bravo Haiti por 1 a 0, que vai dando a liderança do grupo aos highlanders.
No domingo é que a coisa pegou. De madrugada, a Austrália surpreendeu a Turquia de Arda Güler e meteu 2 a 0; a Alemanha causou arrepios nos brasileiros ao repetir o 7 a 1 em Curação, estreante em Copas; e aí vieram dois jogaços. O Japão saiu atrás e buscou o empate por 2 a 2 com a Holanda, num segundo tempo frenético e a Costa do Marfim bateu Equador por 1 a 0, em jogo que merecia mais gols. Terminando o dia já na madrugada de segunda, a Suécia goleou a Tunísia por 5 a 1, com Ayari se juntando ao alemão Havertz e ao já citado americano Balogun como artilheiros até aqui, com dois gols.
A despeito da ganância da Fifa e seu ingressos a peso de ouro, e dos desmandos de Trump, restringindo a entrada de torcedores, juiz, integrantes de comissão técnica e até jogadores, futebolisticamente a Copa vai muito bem, obrigado. E sexta-feira contra o Haiti, a goleada é obrigatória!


