Crises de asma aumentam com clima seco, poluição e infecções respiratórias
- Marcos Kimura
- 12 de mai.
- 4 min de leitura

A combinação de ar mais seco, piora da qualidade do ar e aumento das infecções respiratórias favorece o agravamento das crises de asma. Esse cenário se torna mais frequente em períodos de baixa umidade, quando se intensificam sintomas como falta de ar, tosse, chiado no peito e sensação de aperto no tórax, especialmente em pacientes que não mantêm o tratamento de forma regular.
A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns do mundo, afetando cerca de 300 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que aproximadamente 20 milhões de pessoas convivam com a doença. Embora seja controlável na maioria dos casos, ainda representa uma importante causa de atendimentos e internações.
De acordo com o pneumologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), João Carlos de Jesus, fatores ambientais têm impacto direto no aumento das crises. “O ar mais seco resseca e fragiliza as vias respiratórias, deixando-as mais sensíveis a ácaros, poeira e poluentes. Além disso, há maior circulação de vírus respiratórios e menor dispersão dessas partículas no ar, o que intensifica a irritação e favorece as crises”, explica o especialista.
O médico destaca, ainda, o papel das infecções respiratórias, como gripe, Covid-19 e vírus sincicial respiratório, que circulam com mais facilidade em ambientes fechados e podem agravar quadros de asma, levando até a complicações como pneumonia.
Dentro de casa, também estão alguns dos principais gatilhos da doença. Ácaros presentes em colchões, travesseiros, cortinas e tapetes se proliferam com mais facilidade em ambientes fechados e com pouca exposição ao sol, acumulando-se especialmente em períodos mais frios. Produtos de limpeza com cheiro forte, perfumes e a fumaça do cigarro, seja pelo uso ativo ou pelo tabagismo passivo, também podem desencadear crises.
Bombinhas
Outro ponto de alerta é o uso incorreto das chamadas “bombinhas”, ainda frequente entre pacientes. Muitos utilizam apenas a medicação de alívio, sem seguir o tratamento de controle. “As bombinhas de alívio promovem melhora rápida ao relaxar os brônquios, mas não tratam a inflamação. Já as de controle atuam diretamente nesse processo inflamatório e são fundamentais para manter a doença sob controle”, explica o médico.
Segundo o especialista, a dependência apenas da medicação de resgate pode mascarar a gravidade do quadro. “O paciente sente alívio momentâneo, mas a inflamação continua evoluindo. Isso aumenta o risco de crises mais graves, como o broncoespasmo, que pode levar à insuficiência respiratória e necessidade de atendimento de urgência”, alerta.
Entre os sinais de asma descontrolada estão falta de ar frequente, tosse persistente, chiado no peito e dificuldade para realizar atividades do dia a dia. O uso frequente da medicação de alívio também é um sinal de alerta. “Quando os sintomas não melhoram ou pioram progressivamente, é fundamental procurar atendimento médico o quanto antes”, orienta o pneumologista.
A prevenção envolve o uso correto e contínuo das medicações, mesmo na ausência de sintomas, além de cuidados como hidratação, vacinação contra gripe e Covid-19, uso de umidificadores e evitar atividades físicas em horários de ar mais seco. No ambiente doméstico, recomenda-se manter a casa ventilada, reduzir poeira com pano úmido e aspirador, evitar varrição e espanadores e expor roupas de cama ao sol sempre que possível.
Crianças e idosos merecem atenção especial, já que podem ter mais dificuldade no uso correto dos medicamentos inalatórios, sendo necessário, em muitos casos, o uso de espaçadores e ajustes no tratamento. A prática de atividade física é recomendada, desde que a doença esteja controlada. “Com acompanhamento adequado, o paciente com asma pode levar uma vida ativa e saudável”, conclui o especialista.
Sobre o Vera Cruz Hospital
Há 82 anos, o Vera Cruz Hospital é reconhecido pela qualidade de seus serviços, capacidade tecnológica, equipe de médicos renomados e por oferecer um atendimento humano que valoriza a vida em primeiro lugar. A unidade dispõe de 170 leitos distribuídos em diferentes unidades de internação, em acomodação individual (apartamento) ou coletiva (dois leitos), UTIs e maternidade, e ainda conta com setores de Quimioterapia, Hemodinâmica, Radiologia (incluindo tomografia, ressonância magnética, densitometria óssea, ultrassonografia e raio x), e laboratório com o selo de qualidade Fleury Medicina e Saúde. Em outubro de 2017, a Hospital Care tornou-se parceira do Vera Cruz. Em quase oito anos, a aliança registra importantes avanços na prestação de serviços gerados por investimentos em inovação e tecnologia, tendo, inclusive, ultrapassado a marca de 2,5 mil cirurgias robóticas, grande diferencial na região e no interior do Brasil. Em médio prazo, o grupo prevê expansão no atendimento com a criação de dois novos prédios erguidos na frente e ao lado do hospital principal, totalizando 17 mil m² de áreas construídas a mais. Há 35 anos, o Vera Cruz criou e mantém a Fundação Roberto Rocha Brito, referência em treinamentos e cursos de saúde na Região Metropolitana de Campinas, tanto para profissionais do setor quanto para leigos, e é uma unidade credenciada da American Heart Association. Em abril de 2021, o Hospital conquistou o Selo de Excelência em Boas Práticas de Segurança para o enfrentamento da Covid-19 pelo Instituto Brasileiro de Excelência em Saúde (IBES) e, em dezembro, foi reacreditado em nível máximo de Excelência em atendimento geral pela Organização Nacional de Acreditação.


