Sai a seleção que vai para a Copa e Neymar está nela
- Marcos Kimura
- 19 de mai.
- 2 min de leitura

Por Marcos Kimura
É curioso como até ontem, domingo, ninguém parecia muito interessado na convocação da Seleção Brasileira que vai à Copa, tanto pelos resultados recentes quanto pelas dúvidas em relação à receptividade nos EUA, envolvidos em uma guerra e com agentes do ICE caçando estrangeiros, residentes ou não.
Mas foi só saírem os 26 escolhidos pelo técnico Carlo Ancelotti, o primeiro não-brasileiro a dirigir o Escrete Canarinho – ainda mais em uma Copa do Mundo – para que todo mundo voltasse a ser torcedor da Amarelinha. E, para desespero dos haters, a inclusão de Neymar foi fundamental para o engajamento popular.
Vamos entender o seguinte: desde 2010 (quando ele e Ganso deveriam ter ido à África do Sul), nunca houve uma distância técnica tão grande entre o melhor jogador brasileiro e os demais. Nem nos tempos de Pelé, que jogou ao lado de Garrincha, Didi e depois com Rivellino, Gérson e Tostão; na geração de 82, com Zico, Sócrates e Falcão; no Tetra de Romário, Bebeto e Raí (que chegou mal na Copa, mas era craque); ou o Penta com Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo,
Em 2014, no Brasil, ele já era um fora de série consagrado, e sai da Copa em casa por aquela tentativa de homicídio cometido pelo colombiano Zuñiga, numa joelhada nas costas em que nem falta foi marcada. Seu substituto foi Bernard, o Alegria nas Pernas de triste memória. O se não existe em futebol, mas com Neymar o Brasil não levaria 7 a 1 no jogo seguinte contra a Alemanha.
Na Copa seguinte, na Rússia, ele vinha de uma fratura em um osso do pé e não estava 100%, e ficou eternizado pelas quedas e simulações de falta. Em 2022, no Qatar ele até nos classificou com um gol contra a Croácia, mas ao invés de “furar a bola”, o resto do time foi pra cima e levou um contra-ataque que levou a partida para os pênaltis.
Agora, depois de dois anos derrubado pelas duas contusões mais sérias da carreira, ele veio se recuperar no Santos, que salvou do rebaixamento ano passado, e mesmo longe do craque que foi um dia, ainda habita o imaginário não só da torcida, mas também seus companheiros de seleção. Ele é ídolo de todos, a referência que eles têm de craque que viram jogar. Será suficiente para levar o Hexa? Só vendo.
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Aliás, é curioso como o brasileiro contabiliza as copas não vencidas como fracassos. É como se outras seleções também não disputassem a taça. É certo que o Brasil, além de ser a única seleção a participar de todos os torneios mundiais, passou da fase de grupos em quase todas a partir de 1938 (a exceção foi 1966). Mas imagine ser tetracampeã, como a a Alemanha do 7 a 1, que não passa da fase de grupos desde 2018; e a Itália da Tragédia de Sarriá, que está fora de três Copas consecutivas, incluindo a atual.
Toda a discussão da imprensa e certeza da torcida que não são os outros que vencem, mas nós que perdemos lembra aquela história – apócrifa, segundo Ruy Castro – do técnico Vicente Feola explicando como a seleção deveria atacar a URSS na Copa de 1958, quando Garrincha o interrompeu: “Tá bom, seu Feola. Mas o senhor combinou com os russos?”


